Você sabia? Mães guardam a placenta para comer, enterrar ou emoldurar

SÃO PAULO - Placenta pode ser plantada, ingerida em cápsulas e até virar obra de arte. O órgão humano desenvolvido especialmente para nutrir o feto durante os nove meses de gestação antes era descartado como lixo hospitalar. Agora, vem sendo reivindicado por famílias após os partos. Polêmicas e eventuais carinhas de nojo à parte, hospitais e profissionais de saúde já estão se adaptando a esta crescente demanda. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não tem uma norma federal sobre como a placenta deve ser armazenada e diz que o paciente tem direito sobre o órgão, desde que não esteja infectado. Mas alerta que a placenta é um material de fácil putrefação e pede atenção a pais e médicos ao guardá-la e manuseá-la.
Em São Paulo, o grupo São Luiz criou um protocolo de armazenamento: se os pais pedirem, o órgão após ser expulso durante um parto normal ou retirado numa cesárea vai para uma sala especial refrigerada e é levado para casa quando a mulher tem alta; depois, a responsabilidade é da família. No Rio, a Casa de Saúde São José dispõe de um “placentário”, ambiente onde o órgão é mantido, caso a família queira, até a alta.
— Fico feliz em ver a mentalidade das pessoas mudando. Ficar com seu material biológico é um direito da paciente, e no momento em que as mulheres percebem que a placenta é um órgão de vida, estão querendo criar uma memória — atesta a ginecologista paulistana Carolina Maia, de 35 anos, que enterrou em seu jardim as placentas de Martin, há dois anos, e a de Tito, nascido há três semanas, num plantio acompanhado pelo GLOBO.

Carol não quis provar a placenta, como fizeram a atriz Fernanda Machado, a historiadora carioca Ynae dos Santos e a advogada paulistana Mariana Rocha. Enquanto Fernanda e Ynae transformaram a placenta em cápsula, Mariana foi além: comeu pedacinhos do órgão após passar pelo parto natural de sua terceira filha, realizado em casa.
— Nenhuma experiência na vida te mostra tua força como um parto natural. Estava ali após parir, a médica que me acompanhou foi à cozinha, cortou a placenta em pedacinhos, tipo um sushi, acho que pôs um tempero, e me ofereceu. Tem gosto de carpaccio, só que mais ferroso — conta Mariana, que sabe que este tipo de assunto ainda é tabu em muitas rodas. — Acho que muita gente associa a um certo canibalismo, mas esquece o que é a vida, como ela se forma. Sem placenta não há vida. Sou uma mulher capaz de parir um filho sozinha e assumo responsabilidade pelos meus atos.
COMBATE À DEPRESSÃO
Apesar de não haver estudos científicos que comprovem, acredita-se que ingerir a placenta, seja em cápsulas ou in natura, ajuda na reposição de ferro da mulher e evita a depressão e a queda de cabelo após o parto, além de aumentar a produção de leite e auxiliar na perda de peso. A nutricionista Bela Gil e a socialite Kim Kardashian seguiram esta linha e falaram publicamente sobre o assunto. A Anvisa “orienta que a utilização de produtos terapêuticos de origem humana sem os devidos critérios de qualidade, segurança e sem o reconhecimento da sua eficácia clínica configura risco iminente à saúde”.
A atriz Fernanda Machado, que atualmente mora nos Estados Unidos, conta que lá a prática é bastante comum, realizada por doulas na casa da família e com vários critérios de higienização.
— Não há dúvida de que a placenta está cheia de nutrientes. Acreditando nisso, eu me sentia melhor quando tomava as cápsulas diariamente, parecia que dava uma certa equilibrada nos hormônios. Sei que pode ser tudo efeito placebo, mas achei a experiência muito benéfica — conta Fernanda, que tem um canal no YouTube onde conta sua experiência com o nascimento do filho Lucca, há quase dois anos.
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